MUSICA SECULAR CONVÉM OUVIR ???

23/10/2010 17:45

 

Um dia desses, uma ovelhinha virtual, digo virtual porque recebo vários pedidos de aconselhamento pela internet, especialmente de pessoas de diversas igrejas que acessam colunas que assino na internet.  Enfim, uma delas me perguntou se é pecado ouvir música secular, pois apreciava diversos cantores da música pop da atualidade. Aliás, diga-se de passagem que até hoje não consegui entender porque tais canções são chamadas de música secular.

Inicialmente, expliquei àquela jovem que como servos de Deus, não somos proibidos de fazer nada. O que precisamos, na verdade, é saber usar adequadamente a liberdade que o Senhor nos deu. Como disse o Apóstolo Paulo, todas as coisas são licitas, mas nem todas convém, só não podemos nos deixar dominar por nenhuma delas (I Cor. 6:12). Busquei, portanto, explicar-lhe alguns pontos sobre a música secular para que possa refletir sobre a questão.

Comecei esclarecendo que a música é algo que consegue tocar o coração do homem, pois fomos criados por Deus e uma de suas marcas é o louvor e a adoração. A música faz parte de Deus, anjos o louvam incessantemente, Jesus, ao ministrar a Ceia para os seus discípulos, cantou um hino “E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mateus 26:25). Semelhantemente, há em nós esta marca, a marca da música, da melodia, dos sons. Gostamos de cantar e de ouvir canções. É algo que há em nossa natureza.

A música secular, no caso, é algo que também nos toca, nos emociona. A grande questão é que a música que ouvimos, por nos tocar, precisa ter uma afinidade conosco, com a nossa realidade, ou seja, precisa nos transmitir algo de bom. Para elucidar melhor a questão, um dia desses, dei um giro numa dessas rádios de música pop, muito conhecida por sinal. Ouvi as canções por alguns minutos, muito melodiosas. A primeira, falava de adultério, traição e mentiras. A segunda, falava de sexo fora do casamento. Uma outra fazia apologia à tristeza e à depressão. E daí por diante. Ou seja, são músicas que nada têm a ver com a realidade daqueles que buscam e se relacionam com Deus. 


A questão a ponderar é justamente a consciência de que o que ouvimos pode influenciar o nosso espírito e a nossa alma, fazendo, conseqüentemente, com que venhamos a pensar no que não convém. Meditemos, neste contexto, sobre um dos conselhos dados pelo Apóstolo Paulo aos irmãos filipenses “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”. (Filipenses 4:8). Diante desta consideração da Palavra de Deus, creio que precisamos ser racionais quanto à música que ouvimos, pois as canções que ouvimos e entoamos tocam e mexem com os nossos sentimentos e permeiam os nossos pensamentos. Uma prova disto foi um fato ocorrido há um tempo atrás no Programa do Raul Gil, um programa de calouros de TV muito conhecido. Em certa ocasião, a cantora Fernanda Brum foi homenageada. Vários calouros cantaram as suas canções de sucesso. Lembro-me de um jovem que, ao interpretar uma dessas suas canções, não se conteve e foi fortemente tocando pelo Espírito Santo. A música que exaltava e clamava pelo Espírito Santo invadiu a sua alma. Ou seja, o que cantamos e ouvimos nos toca profundamente. Por esta razão, precisamos verificar que canções tem ocupado os nossos pensamentos.

Não serei hipócrita em afirmar que não ouço músicas seculares. De vez em quando ouço canções românticas, mas procuro sempre analisar a letra de tais canções, para não me pegar, distraidamente, permitindo que canções que ferem os princípios de Deus invadam o meu coração. Como disse anteriormente, somos livres. O importante mesmo é avaliarmos se o que temos ouvido é de fato verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama para que a nossa mente seja preservada e livre do mal.

 

 

IONÁ LOUREIRO
Pastora da Igreja Renascer em Cristo, casada há 9 anos, mãe de três filhos, licenciada em Letras, estudante de Direito, colunista do portal www.elnet.com.br, autora de reflexões bíblicas divulgadas on-line.